Lula, reeleito, diz que vai mudar a forma de governar e que vai trabalhar com o Congresso
A celebração da vitória de Lula levou multidões para as ruas do país. Em São Paulo, nas primeiras palavras depois de reeleito, Lula disse que vai mudar a ...
A celebração da vitória de Lula levou multidões para as ruas do país. Em São Paulo, nas primeiras palavras depois de reeleito, Lula disse que vai mudar a forma de governar e que vai trabalhar com o Congresso. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O dia que terminou com Lula comemorando, começou com o candidato saindo de casa para viver fortíssimas emoções. Nunca mudou seu local de votação. Foi em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que o retirante pernambucano se tornou torneiro mecânico e líder sindical durante a ditadura e ajudou a fundar o PT em 1980. Na escola, em seu berço político, ele votou. A bandeira do Brasil ganhou destaque na campanha e nas fotos. Na saída, para um país dividido, ressaltou a importância do respeito às diferenças: “Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros e o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude”. Foi em casa, na Zona Oeste de São Paulo, que Lula passou boa parte do dia, acompanhando com os mais próximos as notícias sobre o que acontecia nos transportes e nos tribunais. Após o fechamento definitivo das urnas, pouco depois das 19h, saiu de casa novamente usando o símbolo de seu partido no rosto e um megafone nas mãos. Saiu pelo teto solar do carro para saudar e ser saudado. No hotel, nas imediações da Avenida Paulista, escolhido para o pronunciamento pós-resultado, dezenas de jornalistas brasileiros e da imprensa internacional acompanhavam a apuração. À medida em que ela avançava, mais apoiadores chegavam - os ex-ministros Marina Silva e Fernando Haddad. A campanha registrou a chegada de Lula ao hotel. E foi em uma sala reservada que o núcleo principal comemorou a virada na apuração e, depois, a vitória. O auditório do hotel foi ficando pequeno para tanta gente: prefeitos, deputados, companheiros de campanha. Lula, reeleito, diz que vai mudar a forma de governar e que vai trabalhar com o Congresso Jornal Nacional/ Reprodução A histórica virada do segundo turno das eleições já estava cravada em números, e todos aguardavam as primeiras palavras do vencedor. Abraçado por tantos, Luiz Inácio Lula da Silva teve dificuldade para chegar ao palco. Falar também não seria fácil depois de uma campanha sem descanso para o segundo turno. E foi com a voz rouca, que já enfrentou um câncer, que ele discursou por 22 minutos. Começou agradecendo àquele que será seu vice pela segunda vez, Geraldo Alckmin, do PSB, que ajudou a ampliar a frente de apoio ao petista. “Eu queria passar a palavra para o meu companheiro Geraldo Alckmin, vice-presidente da República. Ele tem muito a ver com essa nossa vitória”, disse Lula. “O futuro começa hoje, se chama juventude. Saudar as mulheres, que fizeram toda a diferença. Saudar os idosos, que se sacrificaram, chegaram lá para votar. Os homens. E trazer uma palavra, presidente, ao senhor: meu profundo respeito. O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira”, afirmou Geraldo Alckmin. Os eleitores mais jovens e os mais velhos também mereceram palavras de gratidão. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira, que foi para a rua, foi para a rua para defender a democracia. Quero agradecer as pessoas idosas. Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar. Pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outro tipo de doença. E as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para segurar a democracia no país”, disse Lula. Também estava a seu lado André Janones, que recebeu agradecimentos: “Eu quero agradecer a esse companheiro aqui, o Janones. O nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde, de noite, a moral da nossa tropa”. Lula apontou para o futuro, dizendo que vai mudar o jeito de governar nesse quarto mandato: “Essas eleições me ensinaram muitas lições. Muitas lições. Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Na medida em que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões”. “Na relação com o Congresso, porque já tem gente falando: ‘O Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador’. Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas. Essas eleições foram a honradez, o nacionalismo, a democracia e o futuro que vocês querem para os filhos de vocês que fez a gente virar. Diz que foi a primeira vez que a gente virou, é importante saber”. Lula é o primeiro presidente eleito para um quarto mandato Jornal Nacional/ Reprodução O presidente reeleito citou áreas que deve priorizar, como educação em tempo integral, investimento no SUS e maior atuação do governo federal na segurança pública: “Eu tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários. Quero me reunir com os educadores. Quero me reunir com os cientistas. Quero me reunir com as mulheres. Então, gente, é o seguinte: pode ficar certo que eu quero que vocês anotem o que eu vou dizer aqui. Eu estou com 81 anos de idade. Vou completar depois de amanhã. Depois de amanhã, dia 27, eu completo 81 anos de idade. E eu quero assumir um compromisso na frente da imprensa e na frente de vocês. Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país. Um abraço aos soldados e às soldadas do nosso Exército”. O primeiro presidente eleito para um quarto mandato e que completa 81 anos de idade nesta terça-feira (27) precisaria usar ainda sua energia para o que viria depois. Já na saída do hotel, sentiu a temperatura da festa que o esperava. “A gente está agora aqui na parte de trás do hotel, na Alameda Jaú, e o presidente Lula agora saindo daqui para se dirigir à Avenida Paulista para encontrar a multidão que já há muito tempo espera”, contou a repórter Graziela Azevedo. “É pelos jovens que vão vir, que nós que já passamos, mas é para os que vão vir. Então, é muita emoção”, diz a secretária Pamela Silva Ferreira. “Votei pela democracia, pela igualdade, pela empatia com as pessoas”, diz o corretor Pedro Henrique Rayol. Lula e André Janones Jornal Nacional/ Reprodução Foi difícil atravessar a multidão e chegar até o caminhão de som. Já passavam da meia-noite quando, depois de um beijo na primeira-dama, ele discursou para uma multidão em festa: “Ô, gente, olhe, é o seguinte. Essa vitória não é minha, nem do Alckmin. Essa vitória é de vocês. Então, eu queria dizer para vocês: eu amo vocês”. Lula repetiu agradecimentos, pediu a manutenção da mobilização e reforçou que ouvirá a voz das ruas: “O nosso exército é o exército da dignidade, da democracia, da educação e da saúde. Com a palavra, o general Janones”. “Pessoal, urgente, falaram que nunca alguém que perdeu no primeiro turno poderia virar no segundo turno. Mas eles esqueceram da força de um imigrante nordestino, que veio para São Paulo em um pau-de-arara para mudar a história desse país. Eles esqueceram que, do lado de cá, estava o maior líder popular da história desse país, Luiz Inácio Lula da Silva. Explode! Lula, guerreiro, do povo brasileiro”, disse André Janones. “Eu quero que vocês saibam que cada coisa que eu faço, eu faço pensando em vocês. Todas as políticas públicas são políticas públicas pensando em vocês. E vocês me deram a primazia de ser o primeiro Presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro. Eu devo a vocês. Por isso, eu quero agradecer a cada homem, a cada mulher. Eu quero dizer para vocês que Deus abençoe vocês, a família de vocês e o futuro de todos nós. Democracia sempre”, disse Lula. Comemoração da vitória de Lula na Avenida Paulista Jornal Nacional/ Reprodução GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Mais eleitores nas urnas, menos votos brancos e nulos e virada em mais de 200 cidades: a combinação que levou Lula à vitória histórica Mapa da virada: onde Lula avançou e como mudou a votação de Flávio Bolsonaro entre o 1º e o 2º turno Lula ganha 10,3 milhões de votos no 2º turno, mais do que a soma dos eliminados no 1º turno Lula enfrentará Congresso à direita, crise no STF e precisará conciliar promessas com economia no 4º mandato Esquerda x direita: veja como está o MAPA da América do Sul após a reeleição de Lula
